Como já dizia a estonteante Clarice Lispector: "Aviso: não confundir bobos com burros. [...] Bobo não reclama. Em compensação, como exclama! [...] Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem. [...]"
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
GUERREAR
Mais difícil que vencer a guerra é vencer o hábito. O hábito faz a guerra, mas também a paz. Muitas pessoas não entendem a sensibilidade, querem buscar a sabedoria pela ignorância. Mas a gente não pode ser nem muito sensível nem muito sábio, há que se ignorar muito para se ter um espírito forte. Às vezes ignorar o corpo para a alma, desprezar o sentimento em prol de uma palavra de ordem, ser forte o suficiente para acreditar sem pensar, e amar ainda que não se possa...
É difícil ser feliz se é necessário pagar, vender, comercializar pela liberdade. Ainda que fiquemos livres de quem nos manda, existirá o mercado, o trabalho, o animal que temos que castrar e domesticar, tirar as tripas e rezar por sua alma. Se nós nem podermos ser um pouco cruéis, dificilmente seremos realizados e amados. O triste é que até no amor é preciso guerrear, até no sentimento mais puro é preciso labor, é imprescindível trabalhar. Mas um "homem também chora, menina morena, também deseja colo, palavras amenas, precisa de carinho, precisa de ternura, precisa de um abraço da própria candura.
Guerreiros são pessoas, são fortes, são frágeis. Guerreiros são meninos, no fundo do peito. Precisam de um descanso, precisam de um remanso, precisam de um sonho que os tornem refeitos". Preciso de um bom pente, ficar rente, sem corrente, pingente, subir andaime acima, mente acima, sempre. Mas tudo tem um preço: pagar. Quanto mais eu gasto mais me sinto no prejuízo. Meu Deus, eu estou amando. Preciso correr riscos. E não consigo levar esse amor nos meus ombros, mas preciso do amor nos meus braços.
É tão triste não conseguir guerrear por sonhos. É tão ruim apenas sonhar. É como um reflexo do nosso rosto na água: vai se apagando aos poucos... Porque as águas têm que correr. E depois que elas corram, na guerra, a gente precisa aprender a sobreviver do que passou. A saudade pesa. O rifle pesa. O uniforme pesa. Ser cruel pesa. Mas ser homem é o que mais dói.
Por Vitor Anchieta Sales
sábado, 12 de fevereiro de 2011
A vida, um circulo vicioso.
Já notou que as pessoas quando tem grandes conquistas só aparecem em fotos no momento da conquista? Tipo quem pratica alpinismo, que tira foto no topo da montanha, sempre sorrindo e estáticos. Triunfantes. Desconheço um que tire fotos durante o trajeto. Quem quer lembrar do resto?
É assim que uma grande maioria vive e pensa, porque a velocidade do mundo não nos permite sentir o quão difícil é sobreviver ou saborear a glória antes mesmo que ela chegue! Nos esforçamos porque precisamos. Não porque gostamos. A subida cruel, a dor e a angustia de se esforçar mais, ninguem tira foto disso, ninguém quer lembrar dessa parte!
É como uma doença que nos acomete, depois que a vencemos, esquecemos que durante aquele tempo em que estamos debilitados podemos observar melhor as coisas, as pessoas, nos aproximamos mais de nós mesmos, mas esquecemos disso, e apenas comemoramos por estarmos saudáveis novamente, e voltamos a rotina do mundo, nos afastando novamente das pessoas e de nós mesmos.
Só queremos lembrar da vista do pico. O momento de tirar o fôlego no topo do mundo. É isso que nos mantem escalando. E a dor vale a pena. Essa é a loucura da vida cotidiana. Tudo vale a pena, exceto pelo ponto em que esquecemos de sentir o que esta dentro de nós mesmos...
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Quem machuca as vezes nem percebe, se percebe tem mais medo que eu.
Procuramos dentro de nós ou no grande vazio do mundo, fugas e distrações quando algo em nós não vai bem. É daí que muitas vezes conhecemos os vícios, cigarro, álcool, drogas, orgias... E nada, nunca, é suficiente.
A angustia que ocupa espaço no peito é inerente a nossos repertórios traumáticos, só não à notamos por que usamos de esquivas. Não é só pela morte que temos que sofrer. É pela vida. Pelas perdas. Pelas mudanças.
E quando imaginamos por que algumas vezes é tão ruim, porque dói tanto, temos que nos lembrar que tudo pode mudar instantaneamente, pois somos seres compostos de sentimentos, de toque, compostos de essências imutáveis, de detalhes raros de única face; e não nos permitir a nós e aos que nos querem bem é uma injúria a nossa essência.
A cada queda, uma nova cicatriz, uma nova marca, e obviamente um novo alerta para não se machucar novamente pelo mesmo motivo, mas isso não significa se bloquear a uma nova emoção, uma nova vivência, uma nova expectativa.
É assim que se permanece vivo. Quando dói tanto que não se pode respirar, é assim que você sobrevive. Ainda que com sofrimento, em uma segunda “chance a si mesmo”, de alguma forma impossivelmente, não se sentirá assim. Não vai doer tanto.
O luto vem em seu próprio tempo para todos. À sua própria maneira. O melhor que podemos fazer, o melhor que qualquer um pode fazer... é tentar ser honesto.
A parte ruim, a pior parte do luto, é que não se pode controlá-lo. O melhor que podemos fazer é tentar nos permitir senti-lo, quando ele vem. E deixar para lá quando podemos. A pior parte é que no momento que você acha que o superou, começa tudo de novo. E sempre, toda vez... ele tira o seu fôlego.
Há cinco estágios de luto. São diferentes em todos nós, mas sempre há cinco. Negação. Raiva. Barganha. Depressão. Aceitação. Mas antes, durante e depois do luto, existe a vida. Levante-se, limpe-se, e permita-se para que eu também possa me permitir.
"... É quase impossível evitar o excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo." ( Clarice Lispector - Das vantagens de ser Bobo. )
domingo, 6 de fevereiro de 2011
As diferentes formas de Amar - Post ao Leitor

O amor por si só é algo gracioso, dentre suas formas e situações o bicho homem se perde... Temos o amor paterno, fraterno, materno, amor de amigo, amor por bicho, por hobby, enfim, o amor se faz por qualquer que seja a pessoa, o objeto ou simbolismo.
Para com o pai, mãe, irmãos e parentes em geral o amor é algo incomensurável, ele apenas já nasce contigo. Aquele amigo(a) de toda hora, instante, situação, vivência seja qual for esta, está ali com você. É um amor que se cultiva, apenas por nos fazer bem, sem esperar que algo lhe venha em troca pois este amor é literalmente mútuo.
Durante nosso desenvolvimento, aprendemos a apreciar coisas ou práticas que nos são agradáveis, e por estes tomamos um amor de satisfação, este amor faz parte de nosso instinto, nosso ego.
Mas existe um amor, que muitos olhares estão em volta dele, o amor carnal, aquele de mim para Você, aquele de querer dormir juntinho, de amanhecer querendo sentir um cheirinho especial, estressar o dia todo e ficar feliz por saber que há alguém a lhe esperar com um abraço, um afeto diferente daquele da Vovó, da Mamãe... este é o dito amor que o mundo parece não acreditar mais, ou ao menos o ser humano esquece que existe em plena pureza.
Do século passado, a famosa frase “-Então mostra que me ama!?” era representada quando o pretendido lutava na guerra e voltava com as flores mais perfumadas. Junto do século, o amor ou ao menos suas formas de demonstração também evoluíram, e no século 21, a tal frase é representada pelo seguinte comportamento: “Você me ama? Então muda o perfil do Orkut/Facebook/etc... para namorando!”. Como disse William Shakespeare: “É um amor pobre aquele que se pode medir.”
Tem ainda, um amor diferente, que faz parte do mundo moderno, mas algo me diz que existe desde sempre, o amor carnal que não se resume em homem e mulher, mas que pode existir na mesma intensidade e talvez com maior pureza entre homem e homem, mulher e mulher. É o dito amor homossexual, que o meio social tanto repudia, mas em momento algum parou-se para observar como é vivenciado.
Aos olhos de muitos é repugnância, pecado, putaria, vagabundagem... observando de perto é intensidade, é verdade, é cumplicidade. O diferente assusta desde sempre, mas quando se tem algo cotidiano o convívio é sadio, basta estar aberto a isso.
“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.” Carlos Drummond de Andrade
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
O Vazio Do homem

"O vagabundo esmola pela rua, veste a mesma roupa que foi sua..." que foi minha, que foi dele, que foi dela, que foi de todos...
A necessidade do homem supera, ou quase, a dignidade de si mesmo. O mesmo homem que ama pode odiar, aquele que constroi vem para destruir, o que trai, incluisive si mesmo, é aquele que chora e sorri.
A dignidade do homem é medida em tempo de controversia, e não por momentos de conveniencia.
Musica citada: Negro Amor - Engenheiros do Hawaii
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Porque Viver é ir além do que se vê e do que se diz. Viver é sentir...
Nada facil - Engenheiros do Hawaii
"Neurotransmissores, mísseis na pressão
A vida em cada curva, no limiar da dor
Entre a vertigem de um cavalo alado
E o óleo diesel de um cavalo-vapor
Reza a lenda que a gente nasceu pra ser feliz
Que o crime não compensa e tudo conspira a favor
Reza a lenda que a noite é uma criança
Em volta da fogueira a tribo dança
Pra celebrar..."
Pena - O TM
"O poeta pena quando cai o pano
E o pano cai
Acordes em oferta, cordel em promoção
A Prosa presa em papel de bala
Música rara em liquidação
E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
A Luz acesa
Lá se dorme um Sol em mim menor
Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior..."
"Neurotransmissores, mísseis na pressão
A vida em cada curva, no limiar da dor
Entre a vertigem de um cavalo alado
E o óleo diesel de um cavalo-vapor
Reza a lenda que a gente nasceu pra ser feliz
Que o crime não compensa e tudo conspira a favor
Reza a lenda que a noite é uma criança
Em volta da fogueira a tribo dança
Pra celebrar..."
Pena - O TM
"O poeta pena quando cai o pano
E o pano cai
Acordes em oferta, cordel em promoção
A Prosa presa em papel de bala
Música rara em liquidação
E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
A Luz acesa
Lá se dorme um Sol em mim menor
Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior..."
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
À Brenda Luiza e outros...
Em alguns momentos da vida, o Bobo entra em conflito consigo mesmo, tudo por ser em algumas situações taxado, uma espécie de bullying social, onde o bicho homem já não sabe definir as linhas entre o bem e mau, e passar a portar-se apenas em torno de seu ego, promovendo a analise insana de corações abertos, mentes criativas, sorrisos cativantes e simpatia livre pelo ar.
O bicho homem, se transforma em bicho homem AUTISTA.... o mundo caminha para uma sociedade parasita, movida a capital e ego, nada mais importa... [amizade, amor, carinho, credibilidade, harmonia, felicidade alheia]... e é ai que o Bobo encontra seu conflito, pois tudo que o Bobo valorizar o mundo desvaloriza... tudo que nós procuramos o meio corrompe ou nos julga de má fé!
Mas ser Bobo, é arte, é vida! Já disse Sara Westephal Batista que "Embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu..." Logo só o bobo é capaz de viver a vida, sem se preocupar com limites entre bem e mau, pois ambos são necessários a condição humana, mas desnecessários a vivencia em harmonia! Para tal, basta viver e saborear a delicia da construção moral, ética e familiar, os nossos valores nascem em nossos corações e não por meio da calça de R$400, ou da blusa de R$270,0 menos ainda da sandália Carmen Steffens de R$999,00.
E não adiantar tentar ser Bobo... O Bobo, já nasce Bobo!
P.S.: A sitação no post é de um texto com autoria atribuída a Luís Fernando Veríssimo, mas ele postou em sua coluna, no jornal O Globo, no dia 31 de março de 2005 que a autoria é da Sarah Westphal Batista da Silva.
Seja bem vindo!
Das vantagens de ser bobo
O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir, tocar no mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo, estou pensando”. Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia. O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão tentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo parece nunca ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski. Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era que o aparelho estava tão estragado que o concerto seria caríssimo: mais vale comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e, portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu. Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?" Bobo não reclama. Em compensação, como exclama! Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz. O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás, não se importam que saibam que eles sabem. Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas! Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.
Clarice Lispector
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